E depois desse encontro ela jamais poderá dizer não. Se encontrará irremediavelmente perdida ...
domingo, 13 de janeiro de 2013
"São Paulo, 12 de agosto de 1987
Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.
Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.
Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.
Amo vocês, seu filho,
Caio."
(Caio Fernando de Abreu in Cartas.)
Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.
Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.
Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.
Amo vocês, seu filho,
Caio."
(Caio Fernando de Abreu in Cartas.)
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Presumo que o sonho de toda e qualquer palavra seja sentir.
Penso comigo: Se um dia algo acontecesse e as palavras começassem a sentir, sentir todas as aquelas coisas que sentimos quando elas são proferidas por outrem e ouvidas por nós. e o contrário.
Em menos de um segundo tudo mudaria, desencadearia uma revolta: A revolta d
as Palavras.
Do tipo: eu não quero mais existir! não quero mais ser quem eu sou, livrai-me desse tormento de sentimento! Livra-me!! Tenho vergonha de mim mesmo, tenho vergonha! quero ser igual a outrem! ela é mais bonita! eu sou a melhor!
O sentimento que acompanha as palavras é criado por nós, quem os alimenta somos nós não as palavras. As palavras não sabem exatamente o que acham que dizem, ou o que tentam dizer, elas não sentem, por isso jamais terão a certeza do que expressa.
É esse sentir que nos atormenta, atemoriza, faz refém e mata!!!
Do tipo: eu não quero mais existir! não quero mais ser quem eu sou, livrai-me desse tormento de sentimento! Livra-me!! Tenho vergonha de mim mesmo, tenho vergonha! quero ser igual a outrem! ela é mais bonita! eu sou a melhor!
O sentimento que acompanha as palavras é criado por nós, quem os alimenta somos nós não as palavras. As palavras não sabem exatamente o que acham que dizem, ou o que tentam dizer, elas não sentem, por isso jamais terão a certeza do que expressa.
É esse sentir que nos atormenta, atemoriza, faz refém e mata!!!
Microconto
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Liberteis e libertai-vos!
Começou !!!!! Os meus já estão prontinhos para serem libertados...
Depois posto as fotos dos livros e de onde eu os libertei! Participe você blogueiro, não blogueiro... o importante é libertar !!!
Ps: Liberteis e libertai-vos, frase retirada daqui!!!
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Um dia quem sabe, por acaso, ou destino eles se encontre, talvez seja apenas uma questão de jeito, de hora, de lugar, de pessoa, de sim, de não, de hoje, amanhã ...
domingo, 28 de outubro de 2012
Hora da sessão cinema:
Como Estrelas na Terra.
“No mundo, há essas pequenas pedras preciosas,
que desafiaram os caminhos do mundo, pois podiam
olhá-lo com olhos diferentes. Seu pensamento era
distinto e nem todos os entendiam. Eles enfrentaram
oposição e, ainda assim, venceram, e o mundo ficou maravilhado”
A sessão cinema de hoje é muito mais que especial pra mim, um filme que simplesmente me deixou sem palavras para expressar o quanto mexeu comigo, o quanto me emocionou, chorei do começo ao fim do filme e só de tá falando dele aqui já começo a chorar de novo, talvez o motivo de tantas lagrimas seja uma incrível identificação com o personagem, mas isso não vem ao caso agora, vamos ao que interessa, vamos ao filme! O primeiro filme indiano que assiste e me surpreendi muitíssimo, já tinha ouvido falar sobre ''os filmes de Bollywood'' e sempre de forma negativa, pois eles tem um jeito cinematográfico um tanto diferenciado, entretanto para minha surpresa, Taare Zameen Par despertou em mim a vontade de conhecer um pouco mais o universo Bollywoodano.
Sinopse: Taare Zameen Par, lançado em Dezembro de 2007, foi a primeira incursão do ator e produtor Aamir Khan, O filme retrata a história de um garoto com dislexia. Ishaan é uma criança que vive cercada de pessoas incapazes de compreender sua diferença. A falta de trato de sua família, a incompreensão dos professores rigorosos do colégio, e a falta de cuidado das crianças que o rodeiam produzem crescentes barreiras nas relações de Ishaan com o mundo.
As músicas que perpassam as cenas do maravilhoso filme indiano são parte importantíssima na construção da história; aliadas às imagens do protagonista, traduzem sua visão de mundo e a percepção que constrói dos fatos – o que revela a absoluta impossibilidade de redução das múltiplas facetas de sua existência à realidade da dislexia.
Não vou me alongar muito falando tudo que o filme tem de especial, assim vou acabar fazendo uma resenha do filme e esse não é o meu propósito, meu propósito é apenas despertar a curiosidade de vocês em relação ao filme, compartilhando a experiência e as lições que esse filme me proporcionou e que estão tatuadas na minha alma e memória, como já tinha dito, esse filme me deixa sem palavras, só quem assiste consegue entender o que falo, ou melhor o que eu não falo! Espero ter despertado a curiosidade em vocês, e que gostem da indicação, e depois de ver fiquem assim como eu apaixonados(as) pelo filme, e que saiam compartilhando com mais pessoas!
Ps: Aqui é o filme, caso não encontre para baixar, no Youtube tem ele completinho.
Em suma Taare Zameen Par passa essa mensagem: respeitem a individualidade de cada criança e não as arrastem para o mundo competitivo das ambições projectadas pelos pais e pela sociedade. Cada criança é especial e cada uma tem direito ao seu espaço.
Como uma estrela.
sábado, 27 de outubro de 2012
''Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás, amor, a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz ...''
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
To repetindo pra mim mesmo a todo instante!
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
Não criar expectativas. Não criar expectativas. Não criar expectativas.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Lucian Freud (1922-2011)
Dança do Amor
Mãos
Procuram e encontram
Em sua frente
Outras mãos.
Suave e firme
A boca acaricia
Um colo
Ao compasso das
Vontades.
Cabeças, troncos, membros
Se embalam
Como uma rede.
Logo, logo
Estarão nus
Dos preconceitos.
Não sentem o tempo,
O espaço,
Só música
Audível aos que querem
Conquistar.
Um cântico
Alimenta os desejos
E aproxima as penas.
Selma Ratis in Onírica visão de Eros, Poemas Eróticos, pág 30.
Ps: Lucian pra mim é o mais brilhante da nossa geração !! Tá na minha lista dos favoritos.
Ps: Lucian pra mim é o mais brilhante da nossa geração !! Tá na minha lista dos favoritos.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
Crescer lendo livro fez com que eu jamais me conformasse com metades. Quero os melhores romances, ou prefiro ficar sozinha. Quero as melhores lembranças, ou prefiro não lembrar. Ou vivo intensamente, ou vou levando essa rotina que não incomoda, não interfere, não fere, mas também não é vida. Vou dispensando tudo o que não julgo suficiente pra me roubar a solidão. Vou excluindo do meu convívio todos que não parecem prontos pra marcar meu dias. E vou me excluindo um pouquinho também, vou me dispensando sem pudores, porque é mais fácil me deixar de lado do que lidar com a minha falta de coerência.
-Verônica H
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Dos quereres ...
Quero enroscar minha risada na tua, esquecer meu corpo nos teus braços. Quero construir muitos laços, quero dormir no seu abraço, comer brigadeiro olhando a lua…
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Deixa eu ficar quieta, deixa eu ficar em silêncio. Deixa eu me sentir sozinha, tá tudo bem assim. Logo passa ...
Ps¹: Não sei quem escreveu essa frase, se foi eu ou outra pessoa, não recordo. Tava vendo meu fotolog e encontrei essa frase perdida por lá com data 13\06\10, fiquei em dúvida e fui procurar e só encontro postagens com data posterior, caso alguém queira reivindicar a autoria, por favor ficar a vontade!!!!
domingo, 30 de setembro de 2012
O melhor dos romances não é o beijo. o abraço. a companhia.
O melhor é a conquista.a insinuação. os olhares.
a possibilidade do que não é possível. o segredo.
o esconder-se. o desvelar-se. o perigo. o encontro. o desencontro.
o acaso.o caso perdido no acaso. o talvez. a timidez.
a malemolência. o siricutico.a falta de ar. a roubada do ar.
o olhos nos olhos, quero ver o que você faz. a incerteza. a quase certeza da incerteza. a caça. o caçador.
a dança. os gestos. a face rubra. os instintos. a sacanagem.
o cheiro. a boca. o corpo. o coração. o amor. o beijo. o abraço. a companhia.
O melhor é a conquista.
o esconder-se. o desvelar-se. o perigo. o encontro. o desencontro.
o acaso.
a malemolência. o siricutico.
o cheiro
sábado, 29 de setembro de 2012
UMA CARTA
Há um vago número de muitos meses que me vê olhá-la, olhá-la constantemente, sempre como o mesmo olhar incerto e solícito. Eu sei que tem reparado nisso. E como tem reparado, deve ter achado estranho que esse olhar, não sendo propriamente tímido, nunca esboçasse uma significação. Sempre atento, vago e o mesmo, como que contente de ser só a tristeza disso ... Mais nada. E dentro do seu pensar nisso - seja o sentimento qual seja com que tem pensado em mim - deve ter perscrutado as minhas possíveis intenções. Deve ser explicado a si própria, sem se satisfazer, que eu sou um tímido especial e original, ou uma qualquer espécie de qualquer coisa aparentado com o ser louco.
Eu não sou, milha senhora, perante o facto de olhá-la, nem estritamente um tímido, nem assentemente um louco. Sou outra coisa, primeira e diversa, como, sem esperança de que me creia, lhe vou expor. Quantas vezes eu segredava ao seu ser sonhado: Faça o seu dever de ânfora inútil, cumpra seu mister de mera taça.
Com que saudade da ideia que quis forjar-me de si eu percebi um dia que era casada! O dia em que percebi isso foi trágico na minha vida. Não tive ciúmes do seu marido. Nunca pensei se acaso o tinha. Tive simplesmente saudades da minha ideia de si. Se um dia soubesse este absurdo - que uma mulher num quadro - sim essa - era casada, a mesma seria a minha dor.
Possuí-la ? Eu não sei como isso se faz. E mesmo que tivesse sobre mim a mancha humana de sabê-lo, que infame eu não seria pra mim próprio, que insultador agente da minha própria grandeza, ao pensar se quer em nivelar-me com o seu marido!
Possuí-la? Um dia que acaso passe sozinha numa rua escura, um assaltante pode
subjugá-la e possuí-la, pode fecundá-la e até deixar atrás de si esse rasto uterino.
Se possuí-la é possui-lhe o corpo, que valor há nisso ?
Que não lhe possui a alma? ... Como é que se possui uma alma ? E pode haver um hábil e amoroso que consiga possuir-lhe essa alma ? Que seja o seu marido esse ... Queria que eu descesse ao nível dele ?
Quantas horas tenho passado em convívio secreto com a ideia de si! Temo-nos amado tanto, dentro, dentro dos meus sonhos! mas mesmo aí, eu lho juro, nunca sonhei possuindo-a. Sou um delicado e um casto mesmo nos meus sonhos. Respeito até a ideia de uma mulher bela. -
Fernando Pessoa in O livro do desassossego, pág 480.
sábado, 22 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco! Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois ao vê-los loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.
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