
Não consigo te esquecer, definitivamente não consigo. Isso é terrível, pois aumenta o buraco que existe em meu ego, exatamente aquele que mais me tortura, aquele onde coloco as minhas incapacidades e frustrações. Mas amar alguém que supostamente não tem nem á noção de que você cultiva esse sentimento, é auto-masoquismo. Ainda não descobri qual o real motivo de te amar, Talvez tenha sido a consequência de ter te observado tanto, é possível que você nunca tenha reparado que te observei com olhos de contemplação; contemplava o mistério que saia dos seus porós, dos seus olhos, das suas palavras, do seu corpo, sim, sim, sim, tudo em você é mistério. Exatamente tudo. Tentava me concentrar ao máximo em outras coisas, mas era inevitável, você é inevitável. Te observar tornou-se meu hobbe, minha sina, minha perdição ou salvação, eu era o maníaco que persegue sua vítima e ao mesmo tempo o detetive que tenta desvendar o crisme. Era o aluno aplicado que apende com seu mestre. A vida que se entrega á morte sem questionar. Te observar virou meu prazer e tortura. Tentar te decifrar tornou-se prioridade. Não tenho certeza se consegui, mas o que consegui decifrar me fez prisioneira. Quanto mais aprofundava nesse enigma que é você, mas condenada tornava-me. Depois de condenado ao réu só resta: a penitencia. No meu caso a lembrança, a esperança e a inevitável solidão. Não posso reclamar me joguei nesse abismo convicta das consequências dos meus atos, mesmo sendo eles inconscientes. A Libertação talvez esteja longe de ser conquistada, mas a luta continua, a vida continua, mesmo não sabendo como viver, ou não querendo viver, sobreviver é o que me resta, é isso, é exatamente isso: Ando sobrevivendo sem você. Como agora, Como sempre foi, Como talvez sempre será.( a esperança a que fui condenada não me deixa dizer: Como sempre será.).