sábado, 2 de agosto de 2014

Despedida.



Partiste ainda apouco, antes do primeiro raio de sol acordar o dia.
Ainda sinto o gosto de mar quente em minha boca.
A cama e cada parte do meu corpo permanece tomado pelo teu cheiro.
Uma forte angustia me toma nos braços desde do ultimo beijo, antes do bater da porta.
Agora, deitada sobre os lençóis meu corpo estremesse ainda sobre o efeito inebriante do teu gozo. As lagrimas ensaiam cair, mas ainda não é o momento. Me toco. percorro o mesmo caminho que fizeste ainda a pouco. me arrepia a alma. me incendeia o ventre. Evoco as juras que me sussurrasse ao pé do ouvido enquanto o gozo era teu, deslembro que jamais me olhaste nos olhos nesses momentos. Vem-me  a lembrança de todos os meus dias que foram teus, de todas as vezes que deixas-te o teu gosto único de mar em minha boca, em minha pela. Atino para o teu sorriso de sol que me iluminava antes mesmo da tua chegada. do seu jeito de menino que ainda permanece apesar da idade. desse corpo cor de bronze céu, da delicadeza do toque das tuas mãos, do teu afago. dos lábios rijos de uma maciez que parece que estou a tocar uma fruta qualquer, mas cheia de mistério. porque tem frutas que é só mistério. Essa noite acabei de decorar os sinais que ainda faltava. Agora sei cada detalhe do teu corpo e o sinto ainda mais presente em minhas lembranças. As lágrimas agora me queima a face. Lembro-me da promessa que me fiz. Não posso mais ver-te. Não posso trair-me. Queria que tivesse ficado mais tempo. que o abraço tivesse sido mais longo. talvez se você soubesse que essa foi a ultima vez teria tentado ficar mais tempo. mas você nunca tem mais tempo pra mim e era só isso que eu queria. Bati a porta, não te disse nada, comi o silêncio, aproveitei cada instante, tornei-os eterno sem você saber que aqueles foram os nossos últimos instantes.

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O sonho de toda palavra é sentir o que tenta explicar.