segunda-feira, 20 de agosto de 2012

, sou-que-tempo.

‎, não perco tempo. 

, perco a mim. 

, sou o tempo que não tenho. 

, sou o tempo que talvez tivesse.

, sou o tempo que ganho, quando perco. 

, sou o tempo, S-O-U-O-T-E-M-P-O. 

, sou o tempo que cresce, envelhece e não morri. 

, sem fim. 

, sem começo.

, um buraco negro. 

, em expansão.

E lá vamos nós ...


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A menina era bonita, viu? Fiquei encantado, me lembro bem. Divertida, mas não sei, era auto-crítica demais. Andava firme, mas era insegura. Cheia de vícios e manias, eu achava engraçado. Não um engraçado de rir, um engraçado charmoso. Não parava de mexer no cabelo, ajeitar a roupa, falava baixo, ria alto. De longe dava pra entender o que ela tava falando, cheia de gestos e caras. Tinha muitos amig...os, mas era carente. Aquela menina era a contradição em pessoa, nunca me esqueço. Um dia paramos pra conversar e trocamos desabafos. Queria fazer um questionário infinito, mas fiz algumas perguntas-chaves: Por que você anda reta, mas olhando pra baixo? Quem é o motivo desses sorrisos de canto a canto? Por que tanta mania e timidez? Fui interrompido e atropelado por respostas, que pouco esclareciam seu mistério escancarado. "Olho pro chão porque tem coisas que eu prefiro não ver. E são muitas coisas, todos os dias, de todos os lados. Sorrisos falsos, pessoas pequenas, gente que eu perdi se encontrando fora de mim. E me dói, então o que os olhos não veem, você sabe... Sorrio nem sei porque, muito menos por quem. Por mim, por toda essa gente que quer meu bem. Ninguém em especial, ninguém especial. Queria conseguir ficar uma semana triste, de cara fechada e seca com o mundo. Mas eu choro rindo, morro sorrindo e ninguém desconfia, talvez seja melhor. Tenho a impressão contínua de que nunca tá bom o suficiente. Meu cabelo, minha maquiagem, minhas roupas, meu jeito. Eu. Muita gente chega e quase todas vão embora. Antes da hora, na hora, depois. Ás vezes me arrasa, mas não lamento, fica quem tem que ficar, não é? Eu sei isso de cor também. Mas não dá pra evitar a sensação de, sei lá, pensar que o problema não é de quem parte. Talvez eu seja sem medidas demais e canse. Louca demais e enlouqueça. E nessa, quem não consegue descansar sou eu." A menina era mais que bonita, viu? Muito mais. Uma pena ninguém acolher e deixar que ela, enfim, descanse. Em paz. 



Marcella Fernanda

quarta-feira, 4 de julho de 2012

domingo, 1 de julho de 2012

Microcontos (#minicontos.)

Um dos prazeres que tenho é escrever MICROCONTOS( minicontos.) quer dizer tentar escreve-los. Já havia postado antes aqui no blog um projeto em que vários blogueiros se encontram em um site, para mortrar os seus micro, se não me falha a memória se chama A casa das mil portas.  Desde que conheci esse projeto me encantei pela ideia,  hoje cá acolá sempre tento escrever alguns. 
Pra quem ainda não sabe, não tem ideia do que seria um microconto, vou explicar ...   Um microconto é, uma história em prosa contada em cinqüenta letras ou menos. parece pouco  ?  mas é porque é realmente pouco. Fazer um microconto é um desafio literário, uma tentativa extremamente econômica de contar ou sugerir uma história inteira, como vimos em 50 ou menos letras. ( no meu caso alguns passam das 50 palavrinhas. hehehe).

Espero que apreciem e imaginem o que pode ter acontecido antes, durante e depois de cada uma das estorinhas. Pois a graça dos microcontos reside ai, em IMAGINAAAAAAAAAAAAAAAR  ( Ps: cada (-) é um microconto diferente) 





- Caiu na rede da rede. sem rede. Restou-lhe o chão.  

- Desviou o caminho, mas não o olhar. 

- Aos 22 anos nunca foi amada. se chegar aos 25 assim. não adianta. jurou. só casa virgem

- Tentou dizer.era tarde.ela gritou.tava quase todo dentro

- Procurou a vida até o fim. Encontrou.foi tarde.

- Faltou E\S\P\A\Ç\O no tempo. Sobrou T-E-M-P-O no espaço. ( não é um microconto, andei pensando sobre o tempo e o espaço, daí,  deu nisso.) 

- sou uma farsa. exclamou á voz da consciência.

- Não negava prazer em ver seu desconserto. Era casado. Vadia. não se importava em ser a outra. 

- São olhos esfomeados, que querem decifrar, percebe o  desconserto quando os ver nos seus.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012



 ''E sei 
 que cérebro eletrônico nenhum
  me dá socorro
  em meu caminho inevitável para a morte'' 

- Gilberto Gil -

domingo, 20 de maio de 2012




Todos os dias arrancava de sua angustia um motivo bonito para um novo desabrochar ...

ME: 


Só pro meu prazer: Eu quero você como eu quero ... 


'' Eu te imagino, eu te conserto  
Eu faço a cena que eu quiser

Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor 
 Eu te recriei, só pro meu prazer 

Só pro meu prazer ...''

sexta-feira, 18 de maio de 2012




A mais carinhosa também é a mais bruta, a mais inteligente é ao mesmo tempo a mais sensível, a mais bonita é a mais emburrada, a mais esperta é ao mesmo tempo a mais mundo da lua, a mais bem humorada também é a mais chorona, a mais falante é ao mesmo tempo a mais secreta, a mais velha é ao mesmo tempo a mais moleca, a mais moça também é a mais madura uma não vive sem a outra, e eu não vivo sem as duas.
— Martha Medeiros


E ajeitava o meu caminho pra encostar no teu.
 — Chico Buarque e Edu Lobo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

“Mas seus olhos não mentem o cansaço da espera e a tristeza de estar solta, e você fica feia. É ter a sensação de que ninguém te olha, pelo menos não como você gostaria de ser olhada. Estar sozinha é estar solta e, no entanto, é estar amarrada ao chão porque nada te faz flutuar, sonhar, divagar. Estar sozinho, ou estar sozinha, pode acontecer com qualquer um. E você torce para que aconteça com a sua melhor amiga, ou com aquele homem que você gostaria de experimentar como uma pílula para a sua solidão. Estar sozinha é não suportar ouvir a palavra solidão porque ela faz sentido. E o sentido dela dói demais. Estar sozinho é ter uma risada nervosa, de quem segura um grito e um choro enquanto ri. Um riso falso para se convencer de que é possível ficar sozinho sem ficar deprimido […] É conferir a caixa de e-mails com uma freqüência que beira a compulsão. É chorar do nada. É acordar do nada.”

Tati Bernardi